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A Tradição Anglo-Americana Um Olhar Europeu

A Tradição Anglo-Americana Um Olhar Europeu

Isaiah Berlin, Edmund Burke, Karl Popper, Ralf Dahrendorf, Raymond Aron, Leo Strauss, Friedrich Hayek, e Alexis de Tocqueville. O que têm todos estes teóricos em comum?

João Carlos Espada
The Anglo-American Tradition of Liberty
A View From Europe
London/New York: Routledge, 2016

James Bernard Murphy

Professor, Dartmouth College

No rescaldo da recente votação britânica para deixar a União Europeia, o novo livro do Professor Espada não podia ser mais oportuno. De forma persuasiva, Espada argumenta que a Europa beneficia imensamente do exemplo das tradições britânicas de liberdade individual e regência da lei. Embora este livro seja uma discussão das ideias de um largo espectro dos maiores teóricos da liberdade política, na sua conclusão, Espada surge como um eloquente e apaixonado defensor da permanência britânica na União Europeia - mais pelo bem da Europa do que para benefício britânico. Espada teme as forças centrípetas da burocracia europeia na ausência de uma voz britânica a favor da liberdade individual e do governo local. Espada tinha esperança que as reformas internas da UE seduzissem a Grã-Bretanha a ficar. Talvez, eventualmente, se prove que está correcto.

Enquanto estudo da teoria política liberal moderna, o novo livro de Espada é invulgarmente pessoal. Ele conta algumas das suas próprias experiências no Portugal fascista e o seu amor de uma vida pelas coisas britânicas, que o levou a estudar teoria política na Universidade de Oxford. Enquanto vivia em Inglaterra, Espada teve a possibilidade de conhecer ou estudar com diversos vultos da teoria política liberal do século XX, incluindo Karl Popper, Ralf Dahrendorf, Isaiah Berlin, e Raymond Plant. Espada alude também às experiências que teve ao ensinar nos Estados Unidos, que o levaram a apreciar o pensamento de Alexis de Tocqueville e James Madison, bem como de Gertrude Himmelfarb e Irving Kristol.

A Tradição Anglo-Americana Um Olhar EuropeuSe um anglófilo é alguém que ama a Grã-Bretanha um pouco mais do que esta merece, então Espada conta como um. Ele ama a Grã-Bretanha não apenas pelas suas tradições de liberdade individual e da regência da lei, mas também pelo que entende como o ideal inglês de gentleman. Este dois aspectos da vida social e política britânica, estão profundamente interligados: um regime de liberdade individual robusta é possível apenas numa sociedade na qual auto-controlo, tolerância e civismo estão interiorizados pelos cidadãos.

A Tradição Anglo-Americana da Liberdade, no entanto, não é um livro de memórias, mas uma avaliação crítica das contribuições destes e de outros grandes teóricos para as tradições modernas do pensamento político liberal. Espada não é um filósofo, mas genuinamente um pensador político. Ele entende os constrangimentos históricos e institucionais naquilo que é fazível na vida política. A cada teórico, Espada pergunta: quão bem se adequam os seus ideais com aquilo que sabemos sobre natureza humana, história política, e instituições existentes? Espada desconfia de qualquer utopia política; está firmemente - mas não dogmaticamente - comprometido com a moderação, incrementalismo, a muito inglesa “science of muddling through.” No entanto, mesmo o anti-utopismo de Espada é moderado. Embora esteja ciente dos perigos do poder do estado centralizado ao serviço aos ideais igualitários, Espada não considera a social-democracia como “o caminho para a servidão”. Espada consegue ser um fervoroso defensor da liberdade individual sem ser um libertário, e um defensor da democracia sem ser um populista.

A dimensão pessoal deste novo livro poderia distrair ou irritar, não fosse a própria jornada de Espada tão paradigmática da história do pensamento liberal moderno. Para um livro sobre a tradição anglo-americana da liberdade, Espada centra-se em muitos escritores de origem não inglesa ou americana, como Isaiah Berlin, Edmund Burke, Karl Popper, Ralf Dahrendorf, Raymond Aron, Leo Strauss, Friedrich Hayek, e Alexis de Tocqueville. De facto, podemos com razão afirmar que os maiores teóricos da liberdade anglo-americana não são eles próprios anglo-americanos. O que têm todos estes teóricos em comum? Tal como João Espada, todos estes escritores deixaram regimes repressivos nas suas terras nativas e viajaram para a Inglaterra ou a América.

Espada está fascinado com aquilo a que Karl Popper chamou “o Mistério Britânico”. Popper não usou esta expressão para se referir à grande tradição inglesa de histórias de detectives, desde Conan Doyle a P. D. James. Na verdade, Popper e Espada referem-se ao enigma de como a Grã-Bretanha evitou (em grande parte) o absolutismo real, as ideologias totalitárias, e revoluções políticas violentas que atormentaram o continente europeu. Mas há outro “Mistério Britânico”. Como já referimos, intelectuais de toda a Europa vêm para a Grã-Bretanha e aprendem a apreciar as virtudes da tolerância e da regência da lei. Esta tradição remonta a Voltaire e inclui Benjamin Constant, Friedrich von Gentz, e Francois Guizot. Fugir para Inglaterra não garante, claro, amor pela liberdade individual, como vemos nos casos de Jean- -Jacques Rousseau e Karl Marx. No entanto, o Mistério Britânico é que a Grã-Bretanha dependa em grande medida de estrangeiros para articular e defender as suas próprias tradições de liberdade. O novo livro de João Espada é a mais recente contribuição para esta notável tradição.

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