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Obituário - Mário Soares Liberdade e Cultura

Mário Soares impôs-se como o cidadão comum que sabia tirar lições dos erros que, como qualquer um, poderia cometer.

Ao invocar a memória de Mário Soares, devo começar por recordar um Amigo comum, a quem todos muito devemos. Falo de Bernardino Gomes, colaborador muito próximo do antigo Presidente da República, num período decisivo da estabilização da democracia. A personalidade de Bernardino era inconfundível – na subtileza, na correção, na inteligência prática, no conhecimento, no bom senso, na sobriedade, na coerência, na determinação e no pragmatismo. Junto de Mário Soares foi fundamental, e tinha sempre a porta aberta para quem tivesse um problema a pôr. A sua participação em difíceis missões internacionais deve ser recordada. Do mesmo modo, o seu atlantismo foi uma constante, sempre com a salvaguarda da independência e

de um patriótico sentido de futuro. Falar de Mário Soares obriga a não esquecer Bernardino Gomes, de quem ainda tanto poderíamos esperar e que cuidou sempre do prestígio internacional da democracia portuguesa. Daí a nossa palavra sentida, de homenagem a Maria Renée, grande alma em Portugal da União Latina.

É difícil ser completo na invocação da memória de Mário Soares. Falta ainda muito para dizer relativamente a quem deu o melhor de si à causa da liberdade e da democracia. Como político de corpo inteiro foi ao longo da vida alguém que soube assumir a qualidade de cidadão ativo, sempre disponível para assumir o risco de dizer o que pensava, de modo a contribuir para o bem comum no pensamento e na ação. Sendo a democracia o modo de assumir construtivamente a imperfeição – com respeito dos direitos humanos, do pluralismo e da limitação mútua de poderes – Mário Soares impôs- -se como o cidadão comum que sabia tirar lições dos erros que, como qualquer um, poderia cometer. Apresentava-se, pois, como cidadão disponível para partilhar as dificuldades e as dúvidas, sempre empenhado em pôr a responsabilidade em primeiro lugar e em correr riscos com coragem, para defender os valores democráticos em que acreditava. Foi, desse modo, no seu tempo, um dos grandes políticos europeus, com um papel fundamental na consolidação da democracia portuguesa e na afirmação do projeto europeu de paz e de desenvolvimento.

 

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