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Verdade, virtude e bem comum

No rescaldo de mais um atentado terrorista (neste caso, o de Barcelona), surge como oportuna a reflexão sobre a resistência moral (para além das medidas de segurança) que as sociedades atingidas por estes atentados podem contrapor a tão grave ataque aos fundamentos de uma civilização.

Não será certamente o relativismo ético a sustentar tal resistência. Pouca capacidade de mobilização de vontades e entrega generosa (verdadeira alternativa à mobilização e entrega que suscitam ideologias de morte) terão sociedades cuja coesão não assente em sólidas raízes morais. Para ajudar a essa reflexão, pareceu-me útil a leitura do livro do professor de História das Doutrinas Morais e de Filosofia da História da Universidade Católica de Milão Giacomo Samek Lodovici La socialità del bene – Riflessioni di etica fondamentale e politica sul bene comune, diritti umani e virtù civili (Edizioni ETS, Pisa, 2017). Podemos qualificá-lo como pequeno compêndio de pensamento político e social de inspiração católica.

As teses do livro podem ser assim resumidas:

Segundo uma certa corrente do liberalismo (não a única), as normas estaduais devem ser eticamente neutrais, não atinentes a uma particular visão moral do bem, podendo, quando muito, pressupor uma conceção moral mínima, a da tolerância e a do tratamento igualitário dos indivíduos por parte do Estado, ou do respeito mútuo entre as pessoas. A coesão social não deverá ser construída em torno de valores éticos, mas em torno de procedimentos (constitucionais, jurídicos, de controlo e vigilância) e em redor de regras de convivência, deve criar espaços de liberdade dentro dos quais cada pessoa possa atuar de acordo com o seu projeto de vida dentro de perímetros que não devem ser ultrapassados para não lesar os outros. Nesta perspetiva, se e quando as virtudes das pessoas conservam algum papel político, elas são reduzidas à legalidade, à conformidade ao pacto constitucional e às regras, sendo a vida privada considerada politicamente irrelevante. Mas esta perspetiva ético-política não deixa de se apoiar em pressupostos morais substantivos, de modo algum eticamente neutrais. Por outro lado, não parece adequada para resolver uma série de problemas que atingem várias sociedades ocidentais. Assim, o fenómeno da corrupção, a desconfiança em relação aos políticos e às instituições, o crescente abstencionismo (a “paixão cívica” que se vai apagando cada vez mais no confronto com as “paixões privadas”).

 

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