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Este país não é para jovens

Este país não é para jovens

“Este país não é para velhos” é um filme dos irmãos Cohen passado num Texas desolado, violento e impróprio para velhos. Helena Matos e José Manuel Fernandes lançaram recentemente “Este País não é para jovens”, um excelente diagnóstico das políticas públicas seguidas em Portugal nas últimas dezenas de anos que estão a tornar difícil a vida dos jovens em Portugal.

Helena Matos, José Manuel Fernandes
Este país não é para jovens

A esfera dos livros, 2014

por António Carriço António Carriço

Membro do Conselho Editorial de Nova Cidadania. Director de www.onossodinheiro.pt

Os autores começam por descrever o extraordinário progresso ocorrido em Portugal nos últimos quarenta anos e depois analisam as enormes dificuldades que também se foram acumulando neste período. Portugal está envelhecido, como poucos países na Europa. A taxa de natalidade tem vindo a diminuir e já está muito abaixo do valor de equilíbrio para que a população não decresça. Neste país com poucos jovens e com a perspectiva de em 2030 metade da população ter mais de 50 anos, foram sendo aplicadas políticas públicas que geralmente favorecem quem está “dentro do sistema” e dificultam a vida aos mais jovens.

Este país não é para jovensVários exemplos são descritos ao longo do livro. O sistema de segurança social que não é sustentável e que está longe de poder assegurar aos mais novos que alguma vez polítipossam vir a ter pensões idênticas às dos actuais pensionistas. O mercado de trabalho, onde coexistem contratos permanentes que ainda têm uma elevada rigidez e contratos a prazo com pouca estabilidade. O que não só dificulta a integração dos jovens no mercado de trabalho como tem um efeito negativo na produtividade nacional, pois geralmente as empresa dão menos atenção e investem menos nos trabalhadores com contratos a prazo. A dívida pública que não pára de crescer muitas vezes devido a decisões que só podem ser justificadas por ignorância, eleitoralismo ou corrupção. Esta dívida pública onera os orçamentos de Estado com um montante enorme de juros e é uma herança pesada para as próximas gerações.

Este livro aborda ainda o congelamento das rendas de casa, decretado em 1910 por um ano (!), não estando inteiramente resolvido um século depois. E o sistema de ensino, no qual se verificou uma enorme aumento do número de alunos, mas sem um aumento correspondente da qualidade do ensino.

Um livro que se pode sintetizar neste parágrafo: “… em todos os domínios onde a tentativa de congelar regalias sociais e ‘conquistas civilizacionais’, às vezes bem-intencionada, outras vezes fruto de uma irredutível intransigência ideológica, levou a que se protegesse direitos presentes sem acautelar direitos futuros”.

Este livro não é uma leitura cómoda para os jovens, que vão perceber melhor as dificuldades em que estão. Também não o é para os mais velhos que com certeza sentirão um grande desconforto com as consequências da defesa do que julgam ser os seus direitos. Nenhuma pessoa decente deseja para si o que não pode garantir aos seus filhos e aos seus netos. Mas este livro revela que sendo esta a atitude individual da maioria das pessoas, colectivamente nos temos comportado de uma forma egoísta. Temos de facto construído um País impróprio para jovens.

 

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