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A ascensão do neopopulismo e as suas causas

O neopopulismo é um estilo de fazer antipolítica nostálgica. Dado o seu estilo oposicionista, o neopopulismo é mais explícito a respeito do facto de que é contra o status quo, a heterogeneidade e o “sistema” do que a respeito do que defende.

Esta tarde vamos examinar, em conjunto, aquilo que podemos denominar “neopopulismo” e as suas causas. Para poupar tempo, estabeleçamos desde já que neopopulismo é apenas o mais recente exemplo do populismo clássico. É, em poucas palavras, o populismo da era da informação. Quero com isto dizer que é semelhante ao populismo clássico, mas tal como este se manifesta nas plataformas sociais atuais (pensem no Facebook. Twitter, Tumblr, YouTube, Digg, Hulu, entre outros). Assim, entendo que as principais diferenças entre o populismo clássico e o neopopulismo são sobretudo de estilo, especialmente a respeito do que hoje chamamos enviar mensagens, embora haja algumas ligeiras diferenças de substância devido ao facto de que enfrentam diferentes “superestruturas” do status quo. Por exemplo, os neopopulistas enfatizam mais o que consideram ser os males do actual status quo: desigualdade económica, globalização (sobretudo globalização cultural) e imigração. De resto, considero-os essencialmente idênticos (e, adiante, tratarei o neopopulismo apenas como a variante atual do populismo).

O nosso objectivo esta tarde é identificar as três principais causas do neopopulismo, as quais creio que, em conjunto, explicam em grande medida a sua ascensão nos últimos tempos. Todavia, antes de chegarmos aí, precisamos de “arrumar a casa”, esclarecendo alguns aspetos semânticos prévios – precisamos, nomeadamente, de deixar claro o que é, exatamente, o populismo. Poderão pensar que é um passo desnecessário. Afinal, o populismo não é um termo complexo e esotérico. Todavia, só porque ouvimos ou lemos sobre isso com frequência, não decorre daí que o seu significado seja claro, que todos tenhamos os mesmos referentes em mente quando o utilizamos. Isso é particularmente verdade a respeito de termos como populismo, com significados que constituem aquilo a que cientistas políticos como Cas Mudde e Cristobal Kaltwasser denominam “pouco consistente” (“thin”). Para Mudde e Kaltwasser, o significado de um termo é “pouco consistente” quando alude a algo tão geral que o seu conteúdo é “ligeiro” ou, pior, “maleável”. Por conseguinte, esses termos “pouco consistentes”, entre eles o populismo, são facilmente utilizados de forma indevida ou mal empregues, o que pode dar origem a um pensamento “desleixado”. Todavia, há outro problema com o populismo, nomeadamente o facto de se ter tornado, nos últimos tempos, uma espécie de arma de arremesso, aquilo que os alemães chamam um Kampfbegriff 1 . Tal acontece porque, quando a palavra “populismo” é usada em discussões, raramente o é para promover o esclarecimento intelectual mas com intuitos políticos partidaristas. Serve frequentemente de epíteto e é raro ser definida com rigor. Resultado: o termo populismo não aumenta, mas distorce o nosso entendimento. Assim, é prudente questionar aqui, ao iniciar a nossa tarefa: o que é que queremos exatamente dizer quando chamamos alguém populista?

 

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