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Nota de Abertura - A falta que a conversa faz

João Carlos Espada

João Carlos Espada

Director do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. Director de Nova Cidadania

Na abertura desta nova edição de Nova Cidadania, adoptamos intencionalmente o título de um breve artigo do Presidente do IEP Alumni Club, Henrique Burnay, que foi inicialmente publicado no Diário de Notícias, e que com muito gosto incluímos nesta edição. O artigo recorda o primeiro evento autónomo do IEP Alumni Club, que teve lugar no Convento da Arrábida, em Novembro do ano passado. Como Henrique Burnay descreve de forma muito tocante, tratou-se de uma conversa sobre a Antígona de Sófocles, sob a orientação gentil de Miguel Monjardino. A conversa reuniu antigos alunos do IEP-UCP, alguns há vinte anos, outros há apenas cinco. Recomendamos enfaticamente a leitura do breve artigo de Henrique Burnay.

De certa forma, esta revista e o Instituto de Estudos Políticos da Universidade Cató- lica nasceram no Convento da Arrábida, em 1993. Foi aí que se reuniu espontaneamente um primeiro grupo de jovens empenhados na busca desinteressada da Verdade, do Bem e do Belo na área dos Estudos Polí- ticos. Graças a um convite inesperado e certamente não planeado de Mário Pinto, Presidente do Conselho Editorial desta revista, esse grupo espontâneo acabaria por estar na origem do actual Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, em 1996. Dois anos depois, nascia a revista Nova Cidadania, também por iniciativa de Mário Pinto.

Ainda aqui estamos, vinte anos depois. E a presente edição 67 exprime eloquente- mente aquilo que nos mantém vivos e activos. Muitos analistas dos conflitos políticos sec- tários dirão que não se percebe exactamente aquilo que nós defendemos. Certamente não defendemos qualquer grupo particular contra outro. Mas certamente também não condenamos a saudável concorrência civilizada entre visões diferentes ou entre partidos concorrentes. Certamente nunca condenamos o conflito entre diferentes perspectivas como se se tratassem de con- flitos entre “oligarcas” — uma expressão desagradável que distinguiu os inimigos dos regimes democráticos pluralistas nas décadas de 1920 e 1930.

Um leitor que conheça Nova Cidadania pela primeira vez através desta edição 67, poderá legitimamente conjecturar que nós somos europeístas patriotas, claramente orgulhosos da dimensão marítima de Por- tugal, e que somos bizarros admiradores de Winston Churchill e da centenária aliança luso-britânica. Penso que essa percepção do leitor recém-chegado não estará longe da disposição que nos man- tém juntos, apesar das muitas diferenças que nos distinguem.

Um ponto, todavia, gostaríamos de pre- cisar: o que mais admiramos em Churchill e nas culturas políticas marítimas, a que orgulhosamente pertencemos, é a gentil as- sociação entre liberdade e sentido voluntário de dever. Um tocante exemplo dessa gentil associação foi recordado pelo mais recente biógrafo de Churchill — Andrew Roberts, que virá ao IEP a 17 de Outubro próximo apresentar o seu livro. Recorda ele que, no ano dramático de 1940, quando Hitler ocupou a Europa e o Reino Unido tentava resistir sozinho, a mulher de Churchill, Clementine, enviou-lhe uma única carta. Dizia essa carta que ele estava a tornar-se demasiado rude com os seus colaboradores e que devia voltar a ser gentil e amável.

Por outras palavras, a falta que a (gentil) conversa faz...

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